Odontopediatria

Cárie da primeira infância e aleitamento materno

Recentemente a Associação Internacional de Odontopediatria publicou a Declaração de Bangkok (IAPD,2019) e a Organização Mundial da Saúde publicou o Manual de Orientações para reduzir Cárie na Primeira Infância (WHO, 2020) em contexto mundial. Dentre as orientações para reduzir a prevalência e o impacto da Cárie na Primeira Infância, destacam-se:

1.       Conscientizar pais/cuidadores, dentistas, técnicos em saúde bucal, médicos, enfermeiras,profissionais da saúde e outros grupos interessados sobre Cárie na Primeira Infância.

2.       Limitar o consumo de açúcar em alimentos e bebidas e evitar açúcares livres para crianças com menos de 2 anos de idade (Ver mais em “Os primeiros 1000 dias” da Unicef).

3.       Escovar os dentes das crianças, no mínino, 2x por dia com pasta fluoretada (ao menos 1.000ppm de flúor) usando uma quantidade adequada de dentifrício.

4.       Prover orientações preventivas no primeiro ano de vida por um profissional da saúde ou agente comunitário de saúde (em conjunto com programas já existentes – p.ex.campanhas de vacinação – sempre que possível) e, idealmente, referir para um dentista para manutenção e cuidados preventivos.

Referente ao aleitamento materno noturno, muitas dúvidas sempre surgiram se é possível que o leite materno cause a Cárie na Primeira Infância. No que temos de evidências atuais, sabe-se que a doença cárie é considerada uma doença dinâmica multifatorial, depende do consumo de açúcar e da presença de placa bacteriana. Sendo assim, em condições onde o bebê recebe boa higiene bucal, com escovação correta e adequada, orientada por um odontopediatra, o aleitamento materno em livre demanda na madruga pode continuar. Porém, quando há qualquer descontrole seja na dieta, na frequência das refeições, ou deficiências na escovação e uso do fio dental, o risco para o desenvolvimento de lesões de cárie aumenta. Portanto,como mencionado no Manual da Organização Mundial da Saúde, o aleitamento materno é fator protetor para a doença cárie desde que os demais fatores de risco associados estejam sob controle.

Retenção prolongada


As crianças possuem 20 dentes de leite, também chamados de dentes decíduos. Os dentes decíduos começam a surgir em torno dos seis meses de idade e servem como guia para o nascimento dos dentes permanentes, ajudam a manter o equilíbrio da estrutura da face e proporcionam uma melhor mastigação dos alimentos. Depois, a troca pelos dentes permanentes inicia-se aos 6 anos e termina por volta dos 12 anos de idade. Entretanto, é frequente os pais encontrarem os dentes permanentes nascendo na boca de seus filhos, sem que o dente decíduo tenha caído. Ou seja, um dente nasce atrás do outro e isso se chama retenção prolongada.

Quando o dente decíduo continua na cavidade bucal, o permanente nasce na posição errada, encavalando um no outro, comprometendo a higienização, levando ao quadro de gengivite (inflamação das gengivas) e gerando grande desconforto quando a criança escova os dentes e se alimenta. A consulta com odontopediatra é indispensável para solucionar esse problema principalmente para que não resulte em danos à oclusão normal.